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Programa Integrado para

Certificação da Erradicação da Poliomielite em Macau

= resumo =

Fernando Costa Silva

Tong Ka Io (desenho do Protocolo 1)

Sumário

Designação

Programa Integrado para a Erradicação da Poliomielite em Macau (certificação da erradicação)

Proponente

Unidade Técnica de Vigilância Epidemiológica, Serviços de Saúde de Macau

Coordenação

Comissão para a Certificação da Erradicação da Poliomielite, Unidade Técnica de Vigilância Epidemiológica

Execução

Centros de saúde e hospitais (Centro Hospitalar Conde S. Januário e Hospital Kiang Wu)

Avaliação

Comissão para a Certificação da Erradicação da Poliomielite, Unidade Técnica de Vigilância Epidemiológica

Consultoria

Delegação da Região do Pacífico Ocidental da Organização Mundial de Saúde

Objectivos

O programa tem a duração de três anos (início em 01-111997 e término em 31-12-2000) e os seus principais objectivos são:

Caracterização

A poliomielite é a segunda doença na história de medicina a ser erradicada a nível mundial. Além da eliminação da doença clínica, a "erradicação" compreende ainda a eliminação da circulação e transmissão do vírus selvagem em todas as regiões do globo.

Considerando as metas da OMS relativas à eliminação da poliomielite na Região do Pacífico Ocidental (RPO) até 1995, e a respectiva certificação até ao final do ano 2000, bem como o plano global para a certificação da sua erradicação mundial até ao final do ano 2003, todos os países e territórios da RPO devem delinear e implementar programas específicos e em consonância com as suas realidades epidemiológicas.

Apesar do último caso local de poliomielite ter sido notificado em 1975, é imprescindível que em Macau, tal como em todos os países e territórios da RPO, se garanta a inexistência, "de facto", de infecções associadas ao vírus selvagem durante, pelo menos, três anos consecutivos. Porém, a obtenção daquela garantia só é possível através da implementação de um sistema efectivo de «vigilância activa da PFA», que requer a participação activa dos profissionais de saúde de todas as instituições prestadoras de cuidados de saúde, tanto públicas como privadas. O sistema de vigilância em questão constitui uma das principais estratégias da OMS-RPO para a certificação da eliminação regional da poliomielite e inclui (1) o rastreio, (2) a notificação, (3) a referência a um serviço hospitalar de pediatria, e (4) o seguimento de todos os casos de PFA, em crianças com 0-15 anos de idade.

A PFA não constitui uma entidade nosológica individualizada, mas é um sinal/sintoma presente em inúmeras patologias (suspeitas, prováveis ou confirmadas) como a poliomielite, a Síndrome de Guillan-Barré, a mielite transversa, a nevrite traumática, o Mal de Pott e diversas formas de meningite (v.g. meningite tuberculosa). Para efeitos de vigilância e notificação todos os casos de paralisia flácida, paresia, fraqueza dos membros (um ou mais), perturbações do equilíbrio, etc., sem causa aparente, devem ser considerados casos de PFA. Só o isolamento e tipificação do vírus da poliomielite ou de qualquer outro enterovirus da família Picornaviridae (v.g. coxackie A & B, ECHO, etc) permite confirmar ou negar a existência de doença, uma vez que em mais de 95% dos casos a infecção poliomielítica é inaparente ou confundida com a Síndrome de Guillan-Barré.

Assim, em termos clínicos e epidemiológicos a PFA é universalmente definida como o início súbito de fraqueza e/ou paralisia de um ou mais membros. A definição-padrão de PFA no âmbito do programa de erradicação inclui «todos os casos de paralisia flácida aguda (menos de 60 dias de evolução) ocorridos em crianças até aos 15 anos de idade, incluindo as que se apresentam com a Síndrome de Guillan-Barré».

Considerando os objectivos gerais já enunciados, bem como as estratégias específicas para a sua consecução, o programa integra os seguintes componentes:

Metas

As avaliações intercalares (anuais) e global do programa incluem a avaliação/monitorização da qualidade do sistema de vigilância da PFA e consideram os seguintes objectivos operacionais:

 

Indicadores

1998

1999

2000

1.

Número de casos de "PFA não-polio" detectados por ano, por 100.000 habitantes do grupo etário com 0-15 anos

>1

>1

>1

2.

Percentagem de unidades de notificação de rotina que declaram atempadamente os casos de PFA, incluindo a notificação semanal de "zero casos de PFA"

>80%

>85%

>90%

3.

Percentagem de casos de PFA que foram correctamente investigados

>80%

>85%

>90%

4.

Percentagem de casos de PFA investigados nas primeiras 48 horas após a notificação

>80%

>85%

>90%

5.

Percentagem de casos de PFA reobservados 60 dias após o início de paralesia/paresia

>80%

>85%

>90%

6.

Percentagem de casos de PFA em que se efectuou a recolha de 2 amostras de fezes com 24-48 horas de intervalo, 0-14 dias após o início de paralisia/paresia

>80%

>85%

>90%

7.

Percentagem de resultados enviados pelo laboratório até 28 dias após a sua recepção

>80%

>85%

>85%

8.

Percentagem de resultados com diferenciação intratípica, enviados pelo laboratório até 90 dias após a colheita de fezes

>80%

(qc)

>85%

(qc)

>85%

(qc)

9.

Percentagem de amostras de fezes em que se isolaram enterovirus não-polio (v.g. coxackie, ECHO, enterovirus 71)

>10%

>10%

>10%

10.

Cobertura primovacinal com VAP (3 doses) em crianças com menos de um ano de idade

>90%

>95%

>98%

11.

Cobertura vacinal com 4 doses de VAP (1º reforço) em crianças com menos de dois anos de idade

>88%

>92%

>95%

12.

Cobertura vacinal com 5 doses de VAP (2º reforço) em crianças com menos de seis anos de idade

>88%

>92%

>95%

13.

Cobertura vacinal com 5 doses de VAP (2º reforço) em crianças com menos de doze anos de idade

>85%

>88%

>90%

14.

Detecção e investigação dos casos de PFA admitidos nos hospitais Conde S. Januário e Kiang Wu (processos de internamento), entre 01 de Janeiro de 1993 a 31 de Dezembro de 1997

RE

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---

15.

Actividades de sensibilização, informação e formação dos profissionais de saúde (sectores público e privado)

RE

RE

RE

16.

Actividades vacinais extraordinárias como resposta a eventuais surtos de poliomielite (estratégias de base populacional e/ou de alto risco)

REqc

REqc

REqc

RE: realização efectiva;  qc: quando conveniente

© Fernando Costa Silva, 1999